Texto em linha torta

Em seu famoso "Poema em linha reta", Fernando Pessoa escreve que:

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.(...)

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!(...)

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?(...)"

É curioso notar que as palavras do poeta nunca soaram tão atuais. Está nas revistas, nos jornais, na internet: todos somos perfeitos. Não há ninguém que admita um defeito, uma falha de caráter, um desvio de conduta. Até os defeitos que admitimos costumam ser investidos de uma aura de virtude. Algo do tipo: "meu maior defeito é ser determinada demais" ou, ainda, "assumo que sou viciada em ler, adoro estudar, até esqueço minha vida pessoal, blá, blá, blá..."

Não há ninguém que não erre, mas também não há quem admita seu erro. Só admitimos um erro quando esse reconhecimento nos favorece mais que a omissão. O pedido de desculpas - raríssimo - geralmente vem carregado de hipocrisia, de uma falsa humildade que nos coloca acima daquele a quem magoamos e que o deixa encurralado, quase forçado a nos perdoar. Falo em primeira pessoa porque me incluo na categoria dos príncipes.

Caríssimo Pessoa, se nem vc descobriu onde encontrar gente no mundo, imagine eu, também farta de semideuses.

Pra aposentar de vez o blog anterior:

Desconfio que deveria ter feito veterinária ou biologia ao invés de enfermagem. Comecei a achar isso depois que percebi o meu talento natural para identificar animais. Primeiro veio a viagem que fiz ano passado pra Bom Jesus, durante a qual confundi um gato maracajá (ou seria maracujá?) com um filhote de onça... Na mesma oportunidade, visualizei um belo pássaro na estrada com suas negras e longas asas e pensei: só pode ser um gavião ou um falcão. Como acredito que falcões só existam nos E.U.A., dei um grito: "Vejam só, um gavião em cima de um galho!" Detalhe: era um urubu comendo uma vaca morta...

Essa viagem marcou minha vida, pois percebi ali que ou a ciência estava perdendo uma grande bióloga, ou eu precisava de uma visita urgente a um zoológico. Desde então comecei a tentar trilhar o tortuoso caminho da fauna. Fui mostrar à minha filha o que eu acreditava ser um lindo filhote de cavalo (ou quem sabe, um pônei). Na hora que disse: veja Yasmin que cavalinho lindo! O proprietário do "pônei" olhou incrédulo e disse: Minha senhora, isto é um jumento...Só não me senti colega de espécie do bichinho porque continuo achando os jumentos, os pôneis e os cavalos parecidíssimos.

Recentemente estava trabalhando em Angical quando vi um bichinho cinzento e comprido correr velozmente pela estrada. Dei logo meu grito básico: "Vejam, uma cobra!!!" Todos riram, menos eu que estava sem entender nada porque era óbvio para mim que aquele animal só podia ser mesmo uma cobra: comprido, cinzento, veloz e com o detalhe característico de que possuía...

...Pés, ou melhor, patas. 2 pares pra ser mais exata. Foi aí que reconheci o erro primário: nenhuma cobra (pelo menos até agora) possui patas. Pra saciar a curiosidade de todos, o animal comprido, cinzento e veloz não identificado era um camaleão.

Às vezes ainda penso que aciência é que está perdendo uma grande bióloga, mas por via das dúvidas, alguém aí sabe onde fica o zoológico?

Outra do blog anterior:
Para refletir

"Imagina só: uma pessoa que não sabe a diferença de uma joaninha pra um jabuti fazendo um concurso desses!!!"

(Frase da minha secretária Cristina quando soube que eu ia fazer o concurso do IBAMA. Preciso dizer mais alguma coisa?)

Mais uma do blog anterior:
Retorno

Como todos sabem, estive em São Luís durante o fim-de-semana pra fazer o concurso do IBAMA. A viagem foi muito bacana. A Yasmin conheceu a praia e simplesmente amou o mar. Foi incrível ver a adaptação tão imediata dela a um ambiente que ela jamais tinha visto. Além da praia, visitamos o shopping (típico programa de piauiense), revimos parentes e visitamos lagoas e restaurantes. Pena que durou pouco tempo.

Sobre o concurso, eu nem ia falar, mas foi tudo tão surreal que preciso compartilhar com vcs. Primeiro: jamais me imaginei fazendo um concurso para analista ambiental do IBAMA. Nada contra a natureza, mas nem sei o que um analista ambiental faz. Porém, me meti na encrenca e até levei tudo a sério. Comprei material, fiz inscrição, estudei, viajei, enfim, tudo como manda o figurino. Na hora da prova respondi consciente boa parte das questões e já estava até confiante quando surge a surpresa: uma redação!!! O tema da redação era tão específico, pedia passo-a-passo, na sequencia exata todas as etapas que um analista ambiental (?) deve fazer para fazer um Estudo de Impacto Ambiental (disso eu ouvi falar) que abordasse o impacto gerado à biodiversidade terrestre pela construção de uma hidrelétrica (Putz), falando sobre o geoprocessamento (hein?) e ainda apontando a melhor opção de barragem (agora lascou!). Na hora que eu li a proposta de redação, quase caio numa crise de riso. Juro que me senti uma cega no meio de um tiroteio. Pensei logo: pôxa vida, num domingo à tarde desses, eu poderia estar aproveitando meus últimos momentos de praia e tenho que escrever trinta linhas sobre algo que eu nem imagino do que se trata! Leonina corajosa, encarei o desafio e comecei a reler as questões e selecionar as frases que eu poderia usar nesta dissertação. Fiz tudo no melhor estilo "copiar e colar" e acabei escrevendo trinta linhas de pura embromação. Terminei o rascunho e nem tive coragem de ler o que tinha escrito: estava com medo de cair na gargalhada ao ler tanto absurdo! lembro-me apenas de, num lampejo de criatividade, ter sugerido a criação de uma tal "area de preservação privada". Enfim, não vou passar, mas vou fazer a diversão de quem vai ler minha prova!!!

Publico novamente o que constava no blog anterior:
Tudo pelas imagens (literalmente)

Ontem tive a tarde mais louca da minha vida! Tão louca que, ao chegar em casa, nem consegui escrever no blog. Deixei a tarefa para hoje, quando estaria mais descansada.

Tudo começou quando resolvemos revelar as fotos da Yasmin. Preparamos o CD com todas as fotos, convidamos minha irmã Kátia pra ir junto, deixamos a Yasmin na casa da mamãe e fomos os três: kátia, eu e Adelquis. A Kátia queria ir ao centro e o Adelquis resolveu revelar as fotos por lá, ao invés de revelar no shopping. Um amigo dele havia indicado uma loja no centro que revelava as fotos digitais por um preço menor e com boa qualidade. Resolvemos tentar. Segundo esse amigo a loja ficava próximo ao artesanato, ao lado da loja de carimbos. Fomos até lá, mas nada de encontrar a loja. Desistimos de procurar e já estávamos voltando quando a Kátia encontrou a tal loja em outra rua que nada tinha a ver com o artesanato. Entramos e foi aí que começou nosso suplício.

O Adelquis decidiu revelar em tamanho maior. Deixamos o CD, fizemos um lanche, resolvemos tudo e voltamos à loja pra pegar as fotos. Ao abrirmos o envelope, a triste surpresa: as fotos ficaram péssimas. A revelação conseguiu ter uma qualidade inferior à do monitor. Escuras, vendo os pixels, enfim, uma droga. O Adelquis (paciente como sempre) mostrou as fotos e questionou o porquê da baixa qualidade, chegou a sugerir que talvez se devesse ao tamanho aumentado das fotos. O vendedor foi logo explicando que não tinha nada a ver com o tamanho e, entre outras coisas, disse que as fotos só ficaram ruins porque NÓS não sabíamos fotografar. Eu já estava furiosa e comecei a argumentar com o vendedor de modo que todo mundo ficou paralisado vendo a cena. O Adelquis (sempre calmo) argumentava, mas o vendedor estava irredutível, culpabilzando a gente pelo erro deles. Depois que eu já estava pra perder a paciência de vez e subir no pescoço do cara, o Adelquis teve a triste idéia de pagar pelas fotos boas (na verdade, visíveis, porque boa mesmo não havia nenhuma) e revelar uma no shopping - onde as fotos sempre saíam boas - só pra tirar a dúvida.

No shopping, recebemos o tícket de entrada, estacionamos e fomos à loja. Lá pedimos para revelar uma das fotos em tamanho aumentado, assim como as outras. Foi aí que a balconista disse que o trabalho levaria cerca de 40 minutos, mesmo sendo só uma foto. A Kátia implorou pro rapaz da revelação e ele se propôs a revelar logo a nossa foto. Enquanto isso, fui comprar um álbum que coubesse fotos maiores. O álbum custava 40 reais!!! Comprei-o sem que o Adelquis soubesse, porque senão ele ia chiar pelo preço. A foto foi revelada e ficou ótima! Aí mesmo me revoltei com o vendedor da outra loja. Decidimos revelar todas novamente. Tive que enfrentar mais uma fila pra revelar nesta loja e, quando finalmente chegou a minha vez, eis que surge alguém e entra na minha frente com a desculpa de que "já havia deixado o CD na loja há muito tempo". Tudo bem, esperamos. Após uma eternidade, o Adelquis foi conferir o CD com a vendedora e perguntou que tamanho eu queria as fotos. Combinamos que seria tamanho menor e eu paorveitei pra trocar o álbum grande por 2 álbuns de tamanho normal. Passei mais 30 minutos pra fazer esta troca, mostrei pro Adelquis, ele adorou os álbuns. Horas depois, fomos receber as fotos: SURPRESA, o meu querido marido não mandou revelar as fotos em tamanho menor. Aliás, também não mandou revelar em tamanho igual aos da outra loja. Ele simplesmente autorizou uma revelação em tamanho estupidamente grande, de modo que não havia álbum nenhum que coubessem essas fotos. Nem reclamei mais. Caí numa crise de riso com a Kátia e acabei iniciando uma peregrinação por um álbum infantil para fotos gigantescas. Não encontrei e comprei um desses de formatura (fazer o quê?).

Pra completar o que não faltava mais, fomos embora. Ao sair do shopping o rapaz do estacionamento nos ENTREGOU um ticket (ao invés de receber o nosso, já que estávamos saindo e não entrando no shopping). Nem esperamos pelas desculpas. Entregamos o nosso tícket e saimos imediatamente de lá, antes que acontecesse mais alguma coisa.

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